sábado, 26 de abril de 2014

Morte na Favela

1) Uma pessoa morre na favela.

2.1) As pessoa tem certeza que foram os traficantes. Se calam.

2.2) As pessoas acham que foram os policiais. Descem para a pista.

3) Não repercute. A polícia diz que era traficante. Ninguém se importa com a verdade.

3.2) Repercute e a dúvida principal é se foi realmente a polícia. O fato da polícia ser uma suspeita em potencial é deixado de lado.

3.3) Repercute por algum motivo. Oportunistas rapidamente tomam a causa para si (ongs, políticos, manifestantes) enquanto o morto começa a passar por um processo de criminalização.

4) O morto deixa de ser vítima e passa a ter sua vida pregressa vasculhada em uma busca desesperada que possa incrimina-lo.

4.1) O morto vira bandeira de quem está pouco se importando com a favela e favelados mas viu uma boa oportunidade de atacar o governo, a copa do mundo, as eleições, etc

5) Se a busca obtém sucesso já não importa a morte. O objetivo é de todas as formas justificar a ação da polícia ou colocar em dúvida se foi realmente a mesma que matou.

6) A família enterra o seu morto. Se foi uma morte que gerou comoção, consegue uma indenização do Estado, talvez uma investigação que aponte e puna os culpados. Se não gerar comoção, quem se importa? É só mais um.

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