quinta-feira, 3 de julho de 2014

Abutres

    Os abutres não respeitam a dor alheia, as lágrimas das pessoas, a tragédia ocorrida. Se podem usar para fins políticos, se é possível usar para reafirmar sua ideologia, para marcar sua posição, não pensam duas vezes.
   Um viaduto desabou, matou, feriu, trouxe dor mas o que importa é criticar a copa do mundo, esse ou aquele político, o partido A ou B. Foi um viaduto enquanto os estádios estão de pé, dizem, foi o viaduto do PAC da Dilma grita outro, a responsabilidade é do prefeito ou governador? É necessário saber para que se possa criticar, alguém revela ter pensado que foi um estádio, quantos morreram pergunta outro, preocupado em saber se o número é suficiente para conseguir algum espaço na mídia. 
    O importante para o abutre é que a oportunidade não seja perdida, que o seu silêncio seja rompido não por um grito de dor mas pela voz de quem discursa em cima de corpos. É necessário fazer política, sempre, enquanto o assunto é copa do mundo se faz necessário que alguém esteja a postos para a qualquer momento colocar em pauta seu descontentamento com o que está ocorrendo. E o que importa se a oportunidade para isso é uma tragédia? Tudo é permitido desde que fazendo alguns contorcionismo de caráter os fins passem a justificar os meios e é assim que os abutres despudoradamente usam uma tragédia qualquer para seus próprios fins. 
     A copa do mundo está no fim mas os procuradores de carniças estão nos seus galhos onde ficam atentamente esperando algo de ruim ocorrer.  Espero que não ocorra mais.

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