quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Espera

Caminhava todas as tarde até a praça e lá iniciava a leitura de algum livro que levava nas mãos ou ficava olhando as crianças brincando no parque. Tinha virado um hábito que dizia a si mesmo ser saudável. Uma forma de se enganar e não aceitar que era a solidão levando-o até ali. Já a havia notado nas outras vezes que ali estivera, mas tudo tinha se resumido a um olhar discreto. Chegava com seu livro, procurava um banco, se sentava e ficava por algumas horas até anoitecer;

- Eu gostei muito desse livro.

- Como?

- O livro que está lendo.

- O que é que tem?

- É muito bom.

Foi assim que iniciaram a primeira conversa. Conversaram agradavelmente mais de duas horas, deram risadas e não perceberam o tempo passar. Quando ela percebeu o quanto era tarde se despediu não sem antes avisar que sempre estava ali naquele horário. No outro dia ele retornou, ela estava lá, no mesmo lugar, como havia dito. A cumprimentou e pareciam amigos de longa data.  Os encontros foram ficando recorrente e a cada despedida uma promessa (cumprida) de retorno.
Certa vez ele demorou demais a reaparecer, os dias se passaram e somente uma semana depois estava de volta. Ela não comentou sua demora, orgulhosa não queria mostrar o quanto tinha sentido sua falta e precavida estava evitando qualquer envolvimento maior com aquele estranho agradável.
  Não sabe quando, mas os encontros foram rareando só lembra que um dia sem esperar ele reapareceu, sorriso no rosto e como se não estivesse há tanto tempo sem ir ali a cumprimentou com o carinho de sempre. No meio da conversa com suavidade ela revela o medo de que ele tivesse ido embora de vez.

- Achei que nunca mais iria vê-lo. Sumiu.

- Eu sempre retorno aqui. Sempre. E se eu não aparecer podemos manter contato, meios para isso não faltam. Tem celular, e-mail, whats.

Ofereceu seus contatos entre um sorriso e uma esperança, mas foi delicadamente ignorado. Preferiram firmar o acordo de que se um dia um dos dois pretendesse não ir mais ali por qualquer motivo avisaria o outro de que aquela era a última vez.  Decidiram assim, a segurança de sempre revê-lo estava firmada na sua palavra disse-lhe com aquele sorriso enigmático enquanto desviava o olhar do seu rosto.  Nas últimas vezes ele mais uma vez insistiu em dar-lhe uma forma de manter contato, mas ela não quis, preferiu esperar, conhecer melhor o moço misterioso com uma presença agradável.

Nos últimos meses ela ainda continua indo a praça, às vezes leva um livro, mas seu olhar está no horizonte, mantém a esperança de que quando menos esperar uma presença conhecida apareça.  Ele prometeu avisá-la se um dia decidisse não vir mais. É a sua esperança.

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