Caminhava todas as tarde até a
praça e lá iniciava a leitura de algum livro que levava nas mãos ou ficava
olhando as crianças brincando no parque. Tinha virado um hábito que dizia a si
mesmo ser saudável. Uma forma de se enganar e não aceitar que era a solidão
levando-o até ali. Já a havia notado nas outras vezes que ali estivera, mas
tudo tinha se resumido a um olhar discreto. Chegava com seu livro, procurava um
banco, se sentava e ficava por algumas horas até anoitecer;
- Eu gostei muito desse livro.
- Como?
- O livro que está lendo.
- O que é que tem?
- É muito bom.
Foi assim que iniciaram a
primeira conversa. Conversaram agradavelmente mais de duas horas, deram risadas
e não perceberam o tempo passar. Quando ela percebeu o quanto era tarde se
despediu não sem antes avisar que sempre estava ali naquele horário.
No outro dia ele retornou, ela estava lá, no mesmo lugar, como havia dito. A
cumprimentou e pareciam amigos de longa data. Os encontros foram ficando recorrente e a cada
despedida uma promessa (cumprida) de retorno.
Certa vez ele demorou demais a
reaparecer, os dias se passaram e somente uma semana depois estava de volta.
Ela não comentou sua demora, orgulhosa não queria mostrar o quanto tinha
sentido sua falta e precavida estava evitando qualquer envolvimento maior com
aquele estranho agradável.
Não sabe quando, mas os
encontros foram rareando só lembra que um dia sem esperar ele reapareceu,
sorriso no rosto e como se não estivesse há tanto tempo sem ir ali a
cumprimentou com o carinho de sempre. No meio da conversa com suavidade ela
revela o medo de que ele tivesse ido embora de vez.
- Achei que nunca mais iria vê-lo.
Sumiu.
- Eu sempre retorno aqui.
Sempre. E se eu não aparecer podemos manter contato, meios para isso não faltam.
Tem celular, e-mail, whats.
Ofereceu seus contatos entre um
sorriso e uma esperança, mas foi delicadamente ignorado. Preferiram firmar o
acordo de que se um dia um dos dois pretendesse não ir mais ali por qualquer
motivo avisaria o outro de que aquela era a última vez. Decidiram assim,
a segurança de sempre revê-lo estava firmada na sua palavra disse-lhe com
aquele sorriso enigmático enquanto desviava o olhar do seu rosto.
Nas últimas vezes ele mais uma vez insistiu em dar-lhe uma forma de manter
contato, mas ela não quis, preferiu esperar, conhecer melhor o moço misterioso
com uma presença agradável.
Nos últimos meses ela ainda
continua indo a praça, às vezes leva um livro, mas seu olhar está no horizonte,
mantém a esperança de que quando menos esperar uma presença conhecida
apareça. Ele prometeu avisá-la se um dia decidisse não vir mais. É a
sua esperança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário