E eu sigo olhando. Sentado em um banco da praça vendo cada um discursar cheio de certezas. Palavras familiares, repetidas a exaustão, fáceis de encontrar em qualquer site ou vídeo popular.
Vociferam raivosos, aveludam a voz, são simpáticos, alguns tentam me tirar do banco e levar para o centro outros me criticam por lá permanecer sentado. As vezes dou um sorriso simpático a conhecidos a outros minha indiferença glacial. Permaneço imerso nos meus pensamentos, dúvidas que não terminam, futuro que me assusta enquanto os grupos estão lá. Convencendo, convencidos, cheios de certezas.
As minhas certezas são cada vez menos compartilhadas. Quando aparece algum animal irracional é com eles que divido. Um cão me olha com aquele jeito abobado como se pensasse "o que esse humano está dizendo?", a gata roça nas minhas pernas sem me escutar, os pombos esperam mais milhos. A eles falo e agradeço que eles escutem mas não me respondam. Não quero respostas. Quero apenas falar.
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