segunda-feira, 28 de março de 2016

Uma História Real? (Final)

A polícia foi chamada e agiu duramente tendo apoio explícito tanto da oposição quanto do governo. A democracia deveria ser preservada, protestos só se fossem pacíficos, violência não era aceitável, foram alguns dos argumentos usados para mascarar o principal objetivo: sufocar uma revolta popular.
Dispersados com violência se organizaram para outro confronto. Os números de pessoas nas ruas mais do que dobraram.  Capuz no rosto, paus nas mãos, o que pode servir de arma foi levado. Violentos  e desorganizados foram tratados como quadrilhas. Corajosos enfrentaram um destacamento policial que tinha sido deslocado para proteger políticos na inauguração de uma obra. Escandalizados, os moradores da cidade, mais uma vez se manifestaram pedindo paz. A ordem deveria ser restabelecida, clamavam.
Nas redes sociais, formadores de opiniões ficavam ao lado do Estado, apoiavam qualquer medida para que a violência fosse cessada.
Duas semanas depois, os revoltados da cidade já eram tantos que atemorizavam a todos. Atacava tudo o que consideravam opressor. De bancos a repartições públicas, a tensão na cidade era insuportável, ninguém sabia onde ou quando algo iria ocorrer. Os negócios acumulavam prejuízos, partidários do governo denunciavam a tentativa de um golpe, tratavam pejorativamente como um ato político incentivado pela oposição.
Dois meses depois os políticos atemorizados depois de dois deles terem sidos agredidos e um terceiro ter tido o carro queimado e saído com queimaduras leves de dentro dele começaram a dizer que iriam fazer mudanças. Tentavam aplacar a ira.

Finalmente o Estado conseguiu o seu intento desarticulando a revolta prendendo seus líderes e liderados, investigando, aprovando leis severas, usando o judiciário a seu favor. Aos poucos iam conseguindo restabelecer a ordem para a tranqüilidade de muitos. Porém a cidade nunca mais foi à mesma.

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