A
polícia foi chamada e agiu duramente tendo apoio explícito tanto da oposição
quanto do governo. A democracia deveria ser preservada, protestos só se fossem
pacíficos, violência não era aceitável, foram alguns dos argumentos usados para
mascarar o principal objetivo: sufocar uma revolta popular.
Dispersados
com violência se organizaram para outro confronto. Os números de pessoas nas
ruas mais do que dobraram. Capuz no
rosto, paus nas mãos, o que pode servir de arma foi levado. Violentos e desorganizados foram tratados como
quadrilhas. Corajosos enfrentaram um destacamento policial que tinha sido
deslocado para proteger políticos na inauguração de uma obra. Escandalizados,
os moradores da cidade, mais uma vez se manifestaram pedindo paz. A ordem
deveria ser restabelecida, clamavam.
Nas
redes sociais, formadores de opiniões ficavam ao lado do Estado, apoiavam
qualquer medida para que a violência fosse cessada.
Duas
semanas depois, os revoltados da cidade já eram tantos que atemorizavam a todos.
Atacava tudo o que consideravam opressor. De bancos a repartições públicas, a
tensão na cidade era insuportável, ninguém sabia onde ou quando algo iria
ocorrer. Os negócios acumulavam prejuízos, partidários do governo denunciavam a
tentativa de um golpe, tratavam pejorativamente como um ato político
incentivado pela oposição.
Dois
meses depois os políticos atemorizados depois de dois deles terem sidos
agredidos e um terceiro ter tido o carro queimado e saído com queimaduras leves
de dentro dele começaram a dizer que iriam fazer mudanças. Tentavam aplacar a
ira.
Finalmente
o Estado conseguiu o seu intento desarticulando a revolta prendendo seus
líderes e liderados, investigando, aprovando leis severas, usando o judiciário
a seu favor. Aos poucos iam conseguindo restabelecer a ordem para a tranqüilidade
de muitos. Porém a cidade nunca mais foi à mesma.
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