segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O Ano Que Não Terminou


Era uma vez o ano de 2013 e os seus palcos para que cada grupo gritasse contra o PT. Foi uma festa da democracia burguesa cantada em verso e prosa na internet e mostrada pela televisão. Até eu me emocionei com aquela massa na Rio Branco parecendo o despertar de um povo. Ah, Jesus Cristo, como fui tolo ao acreditar em qualquer tipo de despertar por essas bandas.
Estava lá a velha esquerda com suas pautas e bandeiras. Mas esses, velhos conhecidos e temidos, foram rechaçados por espertos bradando "sem partido" e "somos apartidários".
Também estavam lá liberais e conservadores. Os primeiros ansiosos por serem ouvidos, trazendo a boa nova (não tão nova, é claro) do liberalismo que na década de 90 tinha sido caluniado e xingado através do "neo" liberalismo (aka FHC). Os segundos viram naquele carnaval popular as chances de parar as mudanças do mundo moderno, as pautas progressistas, toda a velocidade das mudanças no mundo.
O carnaval acabou e emergiu o que se convencionou chamar de "a nova direita". Vivas! Agora o marxismo cultural (seja lá o que é isso) será combatido! Gritaram bem intencionados e garotos que hoje em dia se candidatam enquanto podem ser ouvidos. E apareceram velhos nomes mais conhecidos por pertencerem ao lumpem (Olavo, Eduardo Bueno) e novos nomes em busca da ribalta.
O tempo passou e grupos apolíticos foram se mostrando uma quadrilha de trambiqueiros. O antipetismo sustentou os conservadores, mas suas pautas conservadoras foram seqüestradas por gente da pior espécie e os liberais tiveram que lidar com representantes tão conservadores quanto quem os repele.
E porque eu escrevo tudo isso dirão vocês? Ah, por ficar olhando a banda passar vendo conservadores repelindo quem hoje em dia pauta os conservadores brasileiros. Por ficar olhando liberais repelindo quem pauta os liberais brasileiros.
E vocês desesperados gritarão: Alan, os votos, Alan, os votos!!
E eu respondo: Esses são o resultado da propaganda bem feita. Frutos de um trabalho bem feito de quem ganha dinheiro com marketing.
2013 é um longo ano. Será que também não acabará igual ao 1968 do Zuenir Ventura?

Nenhum comentário:

Postar um comentário