sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Indignação Seletiva

   Quando alunos da USP invadiram a reitoria esse ano não foram raras as manifestações contra os estudantes com algumas pessoas lamentando o fato da polícia não ter usado a força para expulsar os invasores.
    Ontem a lei que proíbe palmadas em crianças  foi assunto nas redes sociais com pessoas defendendo o direito dos pais baterem em seus filhos. Ora, não me tornei uma pessoa pior pelas palmadas que levei, mas o que de bom minha mãe ensinou não foram por causa delas e nem pelas chineladas recebidas. Pelo contrário quanto mais crescia, mais me irritava quando ela usava esse recurso para impor sua vontade e hoje em dia quando vejo alguém criticar essa lei  penso ser as mesmas pessoas  que defendem o batalhão de choque usando o cassetete em manifestantes.
    No começo da noite, começou a ser divulgado um vídeo de uma enfermeira batendo em um cachorrinho, a indignação já era grande ontem e hoje quando me conectei a internet já era o assunto de quase todos na rede.
    As mesmas pessoas defensoras das palmadas como forma de educação e de uma atuação violenta da polícia,  hoje estavam chocadas com a agressão ao pequeno animal pedindo punição rigorosa. E eu faço a pergunta, será que ao defendermos determinadas agressões mesmo às mínimas e aparentemente inofensivas estamos de alguma forma amparando a violência que afeta a todos?
   Eu espero que a criminosa (maltratar animais é crime previsto na lei) responda perante a justiça pelos seus atos, embora tenha certeza que a exposição sofrida até agora já seja uma punição. O que me chama atenção é o fato de um país onde pessoas são torturadas e agredidas por diversos motivos (raciais, sexuais, gênero, etc.) e mesmo sendo vítimas não recebem solidariedade (em algumas ocasiões são consideradas culpadas pela violência sofrida) a agressão a um animal vira motivo de indignação nacional.
     A brutalidade das cenas (não tive coragem de ver o vídeo) e a desfaçatez da pessoa ao comentar publicamente o que fez com um "vai dar em nada" é um motivo forte para  refletirmos: quando aceitamos a violência e a falta de respeito aos direitos em alguns estamos amparando os atos violentos de outros contra qualquer ser vivo? De forma alguma diminuo a gravidade de se torturar um animal indefeso pelo contrário, a minha revolta é tão grande quanto à de muitos, mas ao contrário de alguns, eu me revolto com qualquer caso de tortura ou agressão a indefeso seja quem for, culpado ou inocente, animal ou ser humano não importa, os seus direitos devem ser respeitados.

2 comentários:

  1. Interessante reflexão. Concordo contigo. Existe uma certa aceitação por parte da sociedade em relação a violência, desde que seja realizada por motivos "nobres, justos", seja lá como chamam. Um dia vi espancarem um assaltante e me indignei. Se ja fora capturado pela polícia, pq espanca-lo? Tudo mt confuso....

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  2. Que bom que vc gostou e concorda comigo. Beijão

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