sábado, 24 de novembro de 2012

Guerra e Paz

Naquela manhã, olhou pela janela do castelo para o seu reino e ficou pensando na decisão que deveria tomar quando recebesse o mensageiro do seu velho amigo. Sabia qual mensagem ele estava trazendo, não tinha a menor dúvida a respeito, tinha esperado esse momento e apesar de ter perdido algumas noites pensando a respeito ainda não tinha tomado uma decisão definitiva.

Iria ter guerra em breve naquela região, não precisava de analistas para saber disso. O começo das hostilidades entre dois países vizinhos ao seu era uma questão de tempo, e aí começavam suas dúvidas e os problemas. Um dos países era governado por um aliado valoroso, suas relações de amizade eram antigas e o outro exatamente o contrário, embora atualmente não fossem inimigos declarados, se detestavam. Seu país já não era tão poderoso como um dia fora, seu povo não tinha se recuperado da última vez que tinham guerreado.  Como iria se aliar ao seu amigo e atacar seu inimigo em uma campanha extenuante? E se não atacasse, era quase certo ser o próximo se o seu aliado fosse derrotado.

Não era uma decisão fácil,  mas não podia mais evitar, o mensageiro estava ali para, com certeza, saber a sua posição, e não podia fugir disso. Respirou fundo, pediu para Deus lhe iluminar e mandou entrar quem lhe esperava. Sentou-se e com um sorriso no rosto o recebeu, escutando atentamente o que ele tinha a dizer:

- Gosto das coisas claras e serei direto. Depois de te escutar, eu entendi que vai ter guerra e te mandaram saber de que lado eu estou, correto?


- Sim, vai ter guerra. Isso já foi decidido, mas não se trata de qual lado irá escolher, no nosso reino existe uma certeza, você não luta contra a gente, queremos saber se estará ao nosso lado, essa é a dúvida, somente, por isso fui enviado para cá, para saber se vai lutar com a gente.

-Entendi. Outra guerra não está nos meus planos, a neutralidade é a melhor opção...


- Neutralidade é se decidir pelo lado mais forte, nesse caso se a gente for o mais fraco estará contra a gente, está ciente disso né? A situação é crítica e não permite erros.


- Tolice, neutralidade é não me meter em uma guerra estúpida. Ela pode ser evitada e também os problemas que podem vir. Façam um tratado de paz e não tragam problemas para a região e todos nós teremos dias tranquilos.


- Estupidez é não perceber algo claro, estamos sendo provocados, meses após meses, reagimos agora ou lá na frente meu reino não terá condições para isso e aí será tarde demais. Não estamos precipitando uma situação, mas, indo ao seu encontro por considera-la inevitável e digo-te, ela também será para vocês, não tenha dúvidas disso. Fugir dos problemas não adianta muito, ele permanece lá esperando ser resolvido, não irá desaparecer em um passe de mágica.

- Concordo, mas também sei que, só devemos enfrentar um problema quando estamos preparados mesmo com poucas chances de sucesso e esse não é o meu caso.

-  Já pensou na hipótese de sermos derrotado?

 - Se vocês caírem, o próximo da lista é o meu país...


-Tem dúvidas disso?


-Não, somos detestados por eles, só não estou envolvido nessa confusão porque preferem cuidar de vocês primeiro.


- E mesmo sabendo disso tudo, ainda prefere a neutralidade? Você é louco?


-Uma guerra agora vai destruir meu reino, mesmo saindo vencedor, fico endividado e com muitos problemas. Volte para o seu rei e diga-lhe que contra ele eu não luto mas, não irei me aliar a vocês.

- As conseqüências disso podem ser ruim para a gente e para vocês. Pense mais um pouco, certos coisas quando não resolvemos rapidamente ficam maiores e piores.

- Já decidi, não vou entrar em uma guerra que por enquanto não é minha, sem ter condições para isso. Se ao menos não estivesse em uma situação desfavorável, mas não é o caso. Volte e diga para seu soberano, ele tem a minha amizade e conforme for posso ajudar em outras situações, mas não vou tirar meus homens do quartel.


 - Lamento muito sua decisão, espero sinceramente a mudança dela nos próximos meses.

  

   - Eu espero que nos próximos meses eu não tenha motivos para mudar de opinião e uma solução diplomática seja encontrada.


- Acredita mesmo nisso?


- Oficialmente?


- Não, somente entre nós dois.


- Não acredito,  vou me preparar para o pior.

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