segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Benção e Maldição


Parecia uma benção de Deus e agradeceu por isso, aceitou sem remorsos, abriu a porta da sua casa, acolhendo sem pensar em fazer nada diferente. Feliz, comemorou e achou ser o principio de um novo tempo como já tinha ocorrido na década passada. Era um sinal, pensou inocente, e sua vida mudou um pouco. Feliz, tinha esperança de ser o começo de um outro recomeço.
Um dia a realidade bateu na porta, explicou com paciência, tinha algo que não era dele e precisava devolver  ao dono com urgência,  fez isso, com tristeza no coração, mas sem arrependimento. O sinal tão festejado era um engodo, mais uma decepção para se juntar as tantas outras em poucos meses. E teve vontade de revoltadamente culpar alguém por mais uma desdita, a sua benção faltou pouco para ser uma maldição e teve que agradecer por isso, em voz baixa murmurou “dos males o menor”.
Hoje, agradece tudo ter terminado bem quando acaba bem, sufoca a sensação de perda se convencendo que não perdeu aquilo que nunca foi seu. Mas, lá no fundo, não aceita tudo ter terminado assim.

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