terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pássaros na Gaiola


O cenário é de fazer qualquer politicamente correto ou defensor dos animais ficar revoltado e não tiro a razão deles, apesar de muitos serem hipócritas, erguem essa bandeira e agem em outras situações de uma forma reprovável. Um lugar onde se reúnem alguns criadores de pássaros, alguns deles parecem ser traficantes de aves, pessoas chegam e param, avaliam os bichinhos como se fossem mercadorias, fazem perguntas, discutem preços, às vezes levam as gaiolas com as aves dentro enquanto os antigos donos comemoram a venda.
Eu chego e olho em volta, procuro pássaros que nasceram em cativeiros, achar um silvestre legalizado é quase impossível, quem sabe um exótico, penso,  e aqui abro um parêntese para criticar a política do IBAMA em relação à criação legal de pássaros silvestres, o órgão deveria incentivar os criadores com facilidades e assim diminuir o tráfico de aves, mas fazendo uma pesquisa rápida vi uma mistura de burocracia com impostos criando dificuldades para a aquisição de um passarinho registrado, sem contar que, isso encarece o preço e torna a procura pelo caminho da ilegalidade mais atraente. Não estou justificando o comportamento de quem comete esse crime e sim defendendo que, a criação legal combate os traficantes e auxilia no trabalho de preservação das espécies cada vez mais raras com a devastação do seu habitat natural. Voltando a minha chegada, converso com alguns e não encontro nada que me agrade, permaneço um tempo e percebo uma grande gaiola com vários filhotes de canários belgas ou de cor como queiram, esses são exóticos, não fazem parte da fauna brasileira e vieram para o Brasil há muitos séculos sendo reproduzidos somente em gaiolas tornando-se pássaros domésticos, ou seja, criar um não é ilegal. Olho para a gaiola por muitos minutos, sou como um consumidor olhando a mercadoria tendo um vendedor tentando lhe convencer a levar o produto exaltando as suas qualidades, por alguns momentos penso, não é um bichinho, um ser vivo, parece uma compra qualquer e seria se a minha escolha não fosse totalmente emocional. Por algum motivo um deles me chama atenção e digo a mim mesmo que quero levá-lo para casa, vejam bem, era uma compra para qualquer um, menos para mim, estava adotando, não o escolhi ele conquistou-me sem eu saber como ou porque, o pedi ao vendedor e não aceitaria outro se fosse oferecido embora as diferenças entre eles fossem somente de cor e isso não tem importância.
Trago para casa, durante o caminho evito o sol, vou levando com carinho e quando ele chega em casa procuro o melhor lugar para colocá-lo.  Os dias se passam e ele já faz parte da minha vida, levanto e vou procurá-lo, brinco com ele e olho se está tudo bem, ainda não sei se é macho ou fêmea, mas já o batizei, não me interessa se ele vai valorizar ou não, eu o adotei e será cuidado com todo o carinho.
Sim, eu sei muitos já cantaram e fizeram poemas sobre pássaros em gaiolas, sempre vistos como prisioneiros tristes, não se preocupam em olhar o amor que o criador dá a eles, não percebem que, nascidos no cativeiro em liberdade morrem de fome e sede, pois se acostumaram à vida doméstica, por fim, qual a diferença entre um peixe no aquário, um hamster ma gaiola, um furão dentro de casa, um cachorro no apto para um pássaro domesticado? A semelhança eu sei, eles trazem alegrias para quem cria, transformam-se em uma das razões da gente viver, são terapias melhores do que as ministradas por especialistas, são motivos para a gente dá o que tem de melhor em nossos corações.

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