O
cenário é de fazer qualquer politicamente correto ou defensor dos animais ficar
revoltado e não tiro a razão deles, apesar de muitos serem hipócritas, erguem essa bandeira e agem em outras situações de uma forma reprovável. Um lugar
onde se reúnem alguns criadores de pássaros, alguns deles parecem ser
traficantes de aves, pessoas chegam e param, avaliam os bichinhos como se
fossem mercadorias, fazem perguntas, discutem preços, às vezes levam as gaiolas
com as aves dentro enquanto os antigos donos comemoram a venda.
Eu
chego e olho em volta, procuro pássaros que nasceram em cativeiros, achar um silvestre
legalizado é quase impossível, quem sabe um exótico, penso, e aqui abro um parêntese para criticar a política
do IBAMA em relação à criação legal de pássaros silvestres, o órgão deveria
incentivar os criadores com facilidades e assim diminuir o tráfico de aves, mas
fazendo uma pesquisa rápida vi uma mistura de burocracia com impostos criando
dificuldades para a aquisição de um passarinho registrado, sem contar que, isso
encarece o preço e torna a procura pelo caminho da ilegalidade mais atraente. Não
estou justificando o comportamento de quem comete esse crime e sim defendendo
que, a criação legal combate os traficantes e auxilia no trabalho de preservação
das espécies cada vez mais raras com a devastação do seu habitat natural.
Voltando a minha chegada, converso com alguns e não encontro nada que me
agrade, permaneço um tempo e percebo uma grande gaiola com vários filhotes de
canários belgas ou de cor como queiram, esses são exóticos, não fazem parte da
fauna brasileira e vieram para o Brasil há muitos séculos sendo reproduzidos
somente em gaiolas tornando-se pássaros domésticos, ou seja, criar um não é
ilegal. Olho para a gaiola por muitos minutos, sou como um consumidor olhando a
mercadoria tendo um vendedor tentando lhe convencer a levar o produto exaltando
as suas qualidades, por alguns momentos penso, não é um bichinho, um ser vivo, parece
uma compra qualquer e seria se a minha escolha não fosse totalmente emocional. Por
algum motivo um deles me chama atenção e digo a mim mesmo que quero levá-lo
para casa, vejam bem, era uma compra para qualquer um, menos para mim, estava
adotando, não o escolhi ele conquistou-me sem eu saber como ou porque, o pedi
ao vendedor e não aceitaria outro se fosse oferecido embora as diferenças entre
eles fossem somente de cor e isso não tem importância.
Trago
para casa, durante o caminho evito o sol, vou levando com carinho e quando ele
chega em casa procuro o melhor lugar para colocá-lo. Os dias se passam e ele já faz parte da minha
vida, levanto e vou procurá-lo, brinco com ele e olho se está tudo bem, ainda não
sei se é macho ou fêmea, mas já o batizei, não me interessa se ele vai
valorizar ou não, eu o adotei e será cuidado com todo o carinho.
Sim,
eu sei muitos já cantaram e fizeram poemas sobre pássaros em gaiolas, sempre
vistos como prisioneiros tristes, não se preocupam em olhar o amor que o
criador dá a eles, não percebem que, nascidos no cativeiro em liberdade morrem de
fome e sede, pois se acostumaram à vida doméstica, por fim, qual a diferença
entre um peixe no aquário, um hamster ma gaiola, um furão dentro de casa, um
cachorro no apto para um pássaro domesticado? A semelhança eu sei, eles trazem
alegrias para quem cria, transformam-se em uma das razões da gente viver, são
terapias melhores do que as ministradas por especialistas, são motivos para a
gente dá o que tem de melhor em nossos corações.
Nenhum comentário:
Postar um comentário