sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Recomeço


A chuva caía forte e não dava sinais de parar ou diminuir, pela janela eles olhavam em silêncio como se na rua molhada, casas e poças a sua frente estivesse algo que importasse para os dois, fingiam dá atenção enquanto seus pensamentos vagavam. Tinham chegado naquela cidade há uns quatros anos com planos de se estabelecer e foi o que fizeram depois de algumas semanas hospedados no hotel da região, é nossa última chance falou o mais velho deles quando decidiram onde iam morar e abriram mais uma cerveja desejando que não tivessem motivos para sair dali e que fossem felizes por muito tempo, era essa a esperança.
Infelizmente, a cidade aparentemente próspera se revelou estéril, não era o lugar que tinham pensado  e tudo foi ficando pior, não estavam satisfeitos em ficar, mas não reuniam coragem para ir embora, aceitar perder o pouco construído e sair com as mãos abanando reconhecendo a derrota, sempre esperavam uma ocasião melhor para partir ou quem sabe tudo melhorar e finalmente tudo valer a pena. Esse tinha sido um dos motivos eles continuarem na região, nos últimos anos o mais novo da dupla sempre falava da necessidade de saírem dali, mas se não conseguia convencer a si próprio quanto mais o seu parceiro, falava, mas não transformava suas palavras em atos, sabia que, se fosse, seu companheiro iria também, mas, um deixava o outro decidir, os meses passavam, viravam anos e eles ali esperando uma coragem ausente até então.
O mais novo da dupla, um dia levantou-se cedo e começou a arrumar seus poucos pertences e quando perguntado sobre o que estava fazendo comunicou a decisão de partir.Terminou de arrumar a mala, sem justificativas ou motivos, pouco falou e foi até a porta, quando estava na calçada seu amigo gritou e pediu para esperar, estava indo também e foram embora sem pensar muito, porque somente os corajosos fazem isso, os covardes pensam muito antes de agir e na maioria das vezes não decidem deixam outros decidirem por ele.
Os dois em silêncio foram até a rodoviária e partiram no primeiro ônibus para uma cidade qualquer guiados pela necessidade de recomeçar, dessa vez, sem esperanças no coração.

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