quinta-feira, 24 de março de 2016

Uma História Real? (III)


O local escolhido tinha sido a principal praça da cidade. Um grande espaço público abandonado a própria sorte por um governador mais competente em desviar recursos do que investir na conservação. Projetada para ser um amplo espaço de convivência com o passar dos anos virou sinônimo de um local perigoso onde não era recomendável freqüentar a não ser que fizesse parte de grupos considerados potencialmente perigosos.
Torcida organizadas, membros de gangues, clientes e oferecedores de prostituição, viciados, pichadores, grafiteiros ou qualquer outro grupo excluído. Não havia santos e os demônios não eram tão perigosos quanto quem usa caneta mont Blanc e nem tão violentos quanto quem sentava no sofá de casa apoiando torturas, assassinatos, ditaduras e qualquer ato odioso. Eram partes de um mundo hostil e tinham em comum a sensação de pertencimento quando estavam em seus grupos.

Naquela praça as leis, as regras de convivências não encontravam abrigo no judiciário, não eram referendadas por um executivo, discutidas pelo legislativo.

(continua) 

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