O
local escolhido tinha sido a principal praça da cidade. Um grande espaço
público abandonado a própria sorte por um governador mais competente em desviar
recursos do que investir na conservação. Projetada para ser um amplo espaço de
convivência com o passar dos anos virou sinônimo de um local perigoso onde não
era recomendável freqüentar a não ser que fizesse parte de grupos considerados
potencialmente perigosos.
Torcida
organizadas, membros de gangues, clientes e oferecedores de prostituição, viciados,
pichadores, grafiteiros ou qualquer outro grupo excluído. Não havia santos e os
demônios não eram tão perigosos quanto quem usa caneta mont Blanc e nem tão
violentos quanto quem sentava no sofá de casa apoiando torturas, assassinatos,
ditaduras e qualquer ato odioso. Eram partes de um mundo hostil e tinham em
comum a sensação de pertencimento quando estavam em seus grupos.
Naquela
praça as leis, as regras de convivências não encontravam abrigo no judiciário,
não eram referendadas por um executivo, discutidas pelo legislativo.
(continua)
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