quarta-feira, 17 de julho de 2024

Uma Vitória Inesquecível

 

  As memórias de uma vitória que uniu o país inteiro ainda estavam vivas. Aquela final da Copa do Mundo de 1994 foi um marco na vida dele, um dia que ficou gravado na memória de todos os brasileiros.

          - Lembra do Galvão narrando? - disse ele, enquanto abria a champanhe.

           - Como esquecer? A voz embargada, a tensão no ar... 

          - E quando o Baggio chutou pra fora? - Ele levantou a taça, revivendo o momento.

           - Ah, aquele momento... 

         - Eu achei que ia ter um infarto ali mesmo.

Eles brindaram, as taças tilintando num som que reverberou pelo tempo, misturando o passado com o presente.

- Sabe, a vida é feita desses momentos - ele disse, com um olhar pensativo.

- É verdade. A gente precisa celebrar mais, agradecer mais... 

 - Trinta anos. Parece que foi ontem.

Riram, brindaram mais uma vez e beberam, saboreando a champanhe e as memórias.

- Às vitórias passadas e às que ainda virão 

- À vida e aos momentos inesquecíveis 

Aquela noite, como tantas outras, ficaria guardada no coração deles, uma prova de que, apesar do tempo passar, certas vitórias são eternas.

 

Trinta Anos

-   Para que essa champanhe, homem?

-  Comemorar.

-  Hã?

-  Comemorar vitórias conquistadas faz bem ao espírito. Temos que celebrar nossas conquistas.

-  Jesus. Enlouqueceu de vez.

-  Hoje é dezessete de julho.

-  E?

-  Não lembra mais? O terraço, a TV a cores, aquela tosse infinda, um frio, suas preces no banheiro...

-  Brasil, Itália, 94?

-  Sim, lembra né?

-   A narração do Galvão quase chorando quando foi pros pênaltis.

-  A tensão em volta. Todos com o coração nas mãos.

-  Eu lembro de tanta coisa.

-  Devemos comemorar?

-  Abre essa champanhe, caralho. Trinta anos.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Esperança

        A festinha de formatura transcorria como sempre. Mães e pais empolgados, flashes, a criançada com suas pequenas becas indo até o palco pegar seus diplomas. Havia risadas, abraços e uma sensação de realização no ar.

         Ao fundo, uma idosa prestava atenção a tudo. Suas feições inexpressivas escondiam o turbilhão na sua alma. Seu netinho estava entrando na adolescência e ela havia conseguido viver para ver isso. Em meio às comemorações, sua mente viajava pelo tempo, relembrando os momentos que a haviam levado até ali.

           Dois casamentos, dois lutos, duas dores. A vida nunca fora fácil para ela. O primeiro casamento, ainda na juventude, trouxe felicidade e a bênção de um filho. Mas a guerra levou seu marido, deixando-a viúva e com um bebê para criar. Tempos difíceis se seguiram, mas ela encontrou forças para seguir em frente, casando-se novamente anos depois. Seu segundo marido trouxe estabilidade, mas a paz foi breve. Outra guerra, outro luto. O segundo marido também foi levado pela crueldade dos conflitos.

          Seu filho, seguindo o caminho do pai e do padrasto, alistou-se quando fez dezoito anos. Era uma guerra longa e dolorosa. Ela esperou com fé o retorno do seu filho, mas ele voltou gravemente ferido, com notícias desesperadoras. Os médicos disseram que ele não teria muito tempo, mas ele provou ser mais forte do que esperavam, lutando por cada dia. Ainda assim, as noites foram preenchidas por suas lágrimas amargas, enquanto a realidade cruel se impunha.

         Hoje, vendo seu netinho com a beca, ela sentia uma mistura de dor e orgulho. Dor pelas lembranças dos entes queridos que a guerra tirou dela, e orgulho por ter conseguido criar e sustentar sua família, mesmo em meio a tanta adversidade. Seu netinho era a prova viva de sua resiliência e amor inabalável.

        A formatura continuava, mas para ela, cada sorriso e cada flash de câmera eram um tributo à sua luta e à memória daqueles que ela havia perdido. Com o coração pesado, mas grato, ela enxugou uma lágrima solitária que escapou, permitindo-se um pequeno sorriso de esperança. Afinal, apesar de tudo, a vida seguia em frente, e ela estava lá para testemunhar um novo começo.

        Seu filho tinha sobrevivido apesar das probabilidades e tomado uma boa mulher como esposa. A depressão pós-guerra tinha sido forte para ele. A cada guerra, ele se sentia um inútil por não poder seguir o mesmo caminho dos homens da família. Isso também era passado, felizmente. O bebê cresceu, se tornou um menino genioso, igual ao pai e ao avô, pensou sorrindo. "Deve ser genético", sussurrou para si mesma.

      Ainda não tinha falado disso, mas temia que o neto também se tornasse soldado. Mas o menino era de outra geração, com outros valores. Era das artes, o pequeno. Gostava de pintar e sabia que ele seria um artista de sucesso, longe das armas.

     Enquanto observava seu neto no palco, a avó sentiu uma onda de alívio. Talvez, finalmente, a maldição da guerra que assombrava sua família tivesse chegado ao fim. Ela fechou os olhos por um momento, agradecendo silenciosamente por essa nova esperança. Quando os abriu novamente, viu seu netinho sorrindo para ela, o diploma nas mãos e um brilho de felicidade nos olhos. E, pela primeira vez em muitos anos, ela sentiu que o futuro era promissor.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

2 de Julho

     Sentado em uma cadeira da universidade, os pensamentos remetiam a um ano atrás e o coração sangrava. A derrota na Libertadores tinha se juntado a outros problemas, e o sangue escorria. Uma hemorragia dolorida. O tempo passou, anos lembrando e tentando esquecer aquela noite, madrugada, dia.
    Mas não há mal que sempre dure. Não há ferida que não cicatrize, apesar de algumas demorarem demais. Acabou ano passado. O que vai ocorrer este ano não importa. Sarou. Passou.

quarta-feira, 13 de março de 2024

Sufoco

 

  • - Eu quero sumir dessa merda! Me tira daqui!

  • - Calma. Tudo ao seu tempo.

  • - Vai se fuder, arrombado. Enfia seu tempo no cu. Sempre essa ladainha, porra. E sempre a gente se fodendo.

  • - Sempre não. Mal agradecido. Os últimos anos até que foram legais.

  • - Muito legais. Muito mesmo. Pandemia, uma infeliz infernizando a gente, chute no cu.

  • - Está vendo o copo meio vazio. Tivemos coisas boas.

  • - Foda-se.

  • - Está sendo mal educado.

  • - Foda-se de novo.

  • - Eu vou te largar aí.

  • - Você não faria isso. Se veio até esse inferno foi para me tirar. Qual o plano de fuga?

  • - Não tenho um plano?

  • - Hã?

  • - Então. Não tem plano nenhum. Você vai ficar aí até o tempo necessário para sair pela porta da frente.

  • - Jesus Cristo. Não estou acreditando nisso. Eu não estou acreditando. Você veio até aqui só para olhar minha cara?

  • - Calma. Vamos sair dessa. Juntos. Sem fazer merda.

  • - Eu quero morrer!

  • - Para de drama. Não é tão ruim aí.

  • - Não, não é tão ruim. É um ninho de cobras, picando tudo e todos, com ataques de ansiedade toda hora, um mundo a ser construído e eu esperando a luz do sol.
  • Não está ruim, caralho. Para de drama, fdp. Calma.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Ganhos Inesquecíveis

- Doutor, me ouviu?

 - Hã? Desculpe-me, pode repetir? 
 
- Estamos chegando ao seu destino. A cidade está se recuperando depois da grande depressão. Volta a ficar mais bonita. 

 - Depressão e Covid. A maldita doença não afetou?

 - Ah, sim! Ela também. Retardou nossa reconstrução. Maldita seja. 

 - Esse prédio grande à direita. Hoje em dia é o quê? 

 - Hotel. Já foi um cassino. Sabia? 

 Já foi um cassino. Sabia? Sim, eu sabia. Nunca me esqueci do pano verde, ambiente festivo, os viciados, desespero com perdas e ganhos festejados. Ali tinha sido feliz, não obstante tantas perdas financeiras ou emocionais. Pediu para o motorista parar, dando a desculpa que queria tirar umas fotos de um prédio tão bonito. Mentiu como se acostumou a mentir por grande parte da sua vida. Queria somente rever um velho conhecido e dizer: "Eu te falei que voltaria como ganhador. Eu consegui, embora as roletas já não rodem e as mesas não tenham mais cartas. Eu consegui"

- Podemos ir embora. 

- Sim, doutor. Aí era um lugar glamouroso. Muitos ficaram ricos aí dentro.

- E outros ficaram pobres e nunca se recuperaram.

- Sim, dizem isso. É a vida.

- É a vida.


quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Mensagem Para o Passado (III)

2014 – Vai ter golpe.

2015  – O Brasil e você vão pagar caro.

2016 –  Chegou. Curta.

2017 – Se prepare para o pior.

2018 – Será pior do que você espera.

2019 – Seu mundo acabou.

2020 – Vai ter vacina.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Velhos Amigos

- Entra. Pode entrar. Não está fechada.

O quarto era escuro, sombrio e com o cheiro característico de lugar que há muito não via a luz do sol. Entrei tentando manter um rosto agradável.

- Ainda lembra de mim, filho da puta?

- Jesus Cristo. Essa voz. Essa voz! É você mesmo? É quem estou pensando?

Tinha a voz surpresa tentando esconder o embargo da emoção. Tenho certeza que nunca esperava minha presença ali.

- Quem é vivo sempre aparece. E mesmo morto eu iria aparecer para você, arrombado.

- Deus meu. O que você está fazendo aqui, peste ruim? A covid não te levou?

- Não. Perdemos muitos para a maldita doença, mas eu fiquei.

- Até hoje eu não me recuperei, velho amigo.

E quem se recuperou, eu penso? É como se tivesse sido ontem. Há um bloqueio na minha mente com lapsos do desespero de outrora.

- E quem se recuperou, velho amigo? Nem você, nem eu, nem ninguém. Por isso está aqui vivendo nesse lugar horrível?

- Estou onde pude ficar. O dinheiro é escasso. Não posso pagar algo melhor.

- Pode melhorar isso aqui. Uma janela aberta não paga impostos.

- Não paga. O que te fez voltar aqui?

- Nunca deixo um inimigo para trás. Quanto mais um amigo. Vim por você. Preciso te tirar daqui.

- Não quero sair. Não quero ir embora. Quero ficar.

- Fique, mas não nessa situação. Estou aqui para te ajudar a reerguer.

- E você? Já se ergueu para tentar ajudar os outros?

- Quem tem pouco pode dividir o que tem? Não precisa esperar ter muito, cara.

- Eu não saio daqui.

- Ok. Mas juntos vamos melhorar tudo isso.

- Vamos sim.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

RETORNO



Essa eram as metas para 2020. Mal sabia que não haveria dois mil e vinte passaria semanas, meses, anos tentando sobreviver. 

Voltei para cá e o motivo eu não sei. Senti saudades de escrever. 


Visitar Petrópolis

Consegui em 2022. Curti muito a cidade. Bons momentos.


Visitar Unamar

Ainda não.


Voltar a torcer para o Fluminense indo ao Maracanã

Voltei em 2022 mas são tantas dificuldades que foram poucos jogos. Vi o último gol e a despedida do Fred. 


Ignorar torcedor do Flu que tenha menos de 22 anos.

Não lembro os motivos para escrever isso e não ignoro. 


Ler sete livros

Acho que eu li. Não sei dizer.


Ver cinco filmes

Não vi.

Conseguir atingir o nível máximo entre os principiantes do xadrez

Não consegui.


Fazer campanha contra vocês que conseguiram apoiar quem despreza o catolicismo entre outras negligências.

Faço até hoje


Assistir um show com o Chico Buarque cantando.

Meu sonho foi realizado em 2023. Ingresso comparado em junho de 2022.


Ir na quadra da Portela

Não retornei


Xingar o Nenê e as outras contratações estúpidas do Celso e Bittencourt

Aqui há uma reviravolta. Nene depois se tornou útil e Bittencourt se tornou um bom presidente.


Diminuir mais ainda minhas participações nas redes sociais.

Diminuí muito.


Arrumar um emprego.

Veio em 2021. No final do ano.


Voltar a ganhar dinheiro com a Bet365

Não voltei. Larguei as apostas com o tempo.


Xingar todos os dias políticos fachos

Estou fazendo


Controlar o estresse para que seja menos do que 2019

Não controlei até agora


Ir à missa mais vezes

Fui mas agora não to conseguindo ir


Fazer exame para medir meu colesterol e essas coisas de "ídio"

Não fiz até hoje.


Comprar o DVD "30 anos de Racionais"

A maldita doença não deixou ser gravado. 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

GALVÃO BUENO O MAIOR QUE EU VI NARRAR

 

Dizem que se deve separar o personagem do mundo real. Ou o artista da sua obra. Algo impossível para outros mas para mim é de boa. Candeia era policial violento, Sabotage foi traficante, Facção Central o DumDum tirou cadeia, Neymar é um babaca bolsonarista, mas é craque e não tremeu na olímpiada. Se fosse o outro bolsonarista chorão teria desmaiado todo cagado esperando o samu. Maradona era um cheirador alcoólatra com uma vida marginal romantizada por brasileiros hipócritas.

E porque escrevi tudo isso?  Um dos meus ídolos na narração esportiva: Galvão Bueno. 

Galvão é o narrador dos melhores momentos no esporte que eu guardo com carinho exceto o primeiro título do Guga na França narrado pelo Rui Vioti.

É um cara com a exata noção de ser parte do show, se torna melhor do que o jogo as vezes, não é raro pensarmos que o jogo está uma merda mas tem o Galvão confundido nome dos jogadores, repetindo teorias tão antigas quanto decoradas por todos, com bordões inesquecíveis e isso é povão. Torcedor especialista em futebol seria bom ouvir na academia, em palestras, congressos ou com imensa paciência em algum grupo do face. Fora isso são chatos para caralho vendo futebol de seleções.

Galvão Bueno é e dificilmente deixará de ser o narrador dos meus momentos especiais seja em uma copa do mundo, medalha de prata no atletismo, fórmula 1 e outros tantos esportes com ele lá.

Porém Galvão sofreu um processo de cancelamento faz algum tempo (e depois escrevo sobre o início e porquê) e o "cala boca, Galvão" "Pacheco" "torce descaradamente para a seleção" entre outras coisas se juntaram a parte pessoal.

Galvão Bueno foi íntimo da relação de poder dividida entre clubes, CBF, TV Globo e jogadores.  Se tornou íntimos de craques e inimigos de outros. Sua corneta feroz tal qual a de um torcedor comum deve ter prejudicado a muitos. E isso causa críticas ferozes até hoje. Justas em grande parte.

O "cala a boca Galvão" parece ter sido iniciado em um desses programas que legaram ao Brasil a ascensão de um genocida e se tornado popular junto com a ascensão de novos narradores em busca de espaço e com novos públicos. Desgaste enorme da sua imagem e com ele insistindo em não se aposentar. Em 2012 para agradar à torcida tricolor inclusive seu filho tentou um "é tetra, é tetra" parecendo um ocaso.

Porque eu não sei, mas demitido não foi, continuou pelas copas, eurocopas, copas américas e olimpíadas revertendo uma imagem negativa cada vez mais forte até que chega em 2021 aclamado por ser o maior.

O tempo é inexorável e vai nos levando aos poucos o que temos de melhor. E Galvão já não consegue narrar como vigor ou ao menos enganar e continuar tentando. É divertido os bordões, as histórias aleatórias, as gafes e cornetas, mas o narrador não consegue mais. É um craque em campo tentando enganar o grande público com lançamentos, passes precisos, mas sem fôlego para aguentar quarenta e cinco minutos e jogando noventa.

É embaraçoso pedir a aposentadoria de alguém mas faço isso a vontade por ter nesse narrador o carinho que tive com Jose Carlos Araújo e por pouco tempo Osmar Santo,

Está na hora de parar. Hoje foi constrangedor em alguns momentos quando necessitou ecoar o grito de gol ou fazer dos pênaltis maior que qualquer disputa é.

Tudo na vida tem um fim e é hora de a Globo tomar a decisão de procurar outro narrador principal.

 

Final da Eurocopa

      Ontem quando vi a Itália entrar em campo sorri e pensei: Já sei o enredo. Tenta ganhar no tempo normal, na prorrogação vai sorrateiramente ganhar e se não conseguir se garante nos pênaltis. Olhei pra Inglaterra e só consegui pensar em um time que a única vez que eu lembro de algo bom tinha Paul Gasgoine.

   Tudo mudou com o primeiro gol da Inglaterra. E que gol. Uma batida de primeira antes dos dois primeiros minutos. Parecia uma Inglaterra diferente disposta a doutrinar a Itália e falar: Lugar de fachos é exportando para o Brasil a família para virar vagabundo político. Aqui não.

    Porem a Itália colocou a bola no chão, tocou a bola, começou a jogar e a Inglaterra retrancou. Inevitável gol de empate.

     Segundo tempo se eu tivesse mil reais eu apostaria na Itália. Não tinha e somente vi minha previsão dá errada e eu não perder dinheiro que não tinha. Itália tentou ganhar é claro, mas foi do jeito italiano de jogar. Um jeito resumido em um tuiter: Triste de assistir desde 1934.

     Na prorrogação a Inglaterra tentou algo a mais, o técnico inglês cometeu o supremo erro de substituir duas vezes só para bater pênaltis e a Itália foi para os penais segura.

     Ganhou a seleção que não esteve na final devido a um roubo, ganhou uma seleção que ao não ir para uma copa do mundo se reconstruiu (ao contrário de uma brasileira que fez vergonha no Brasil, perdeu em 2018 e ainda tem jogador fazendo papagaiada apoiando genocida em vez de sumir da seleção e ir para a pqp, o raio que o parta, chorar em outro canto) e voltou a ganhar

    A mesma Itália de sempre: Triste de se ver as vezes, com brasileiros naturalizados, levando para os pênaltis, não se incomodando nenhum pouco com o sofrimento das prorrogações e sendo campeã... desde 1934 é assim.

     Quanto à Inglaterra deixou de ser uma Argentina da vida. Está abaixo. Argentina ao menos se aproveita de um presidente fudido trazendo uma copa fudida, para um país fudido, com uma seleção fudida para ter um gosto especial no final do seu jejum.


segunda-feira, 9 de março de 2020

Diversionismo Bolsonariano



     Não sou adepto de teorias da conspiração, mas é muito estranho tudo o que aconteceu nessas duas últimas semanas.
     Uma matéria feita a toque de caixa para gerar empatia, em um programa com audiência enorme no final do domingo passado, cometer o erro de contrapor ao doutor Drauzio uma pessoa com crimes hediondos nas costas. Sim, estou falando da entrevista no fantástico do domingo passado e a repercussão dela até ontem quando descobriram os crimes cometidos. 
    Ora, a rede Globo prima pelo seu padrão de qualidade altíssimo e com certeza a produção não mediu esforços para a matéria ir ao ar. Alguém errou feio. Errou? Pois sim. Alguém quis colocar o doutor na “bola da vez” ou oferecer ao Bols e Bolsinhos um motivo para na segunda esquecerem do corona vírus e suas consequências. 
    Tudo conforme manda o manual da direita atual. Um perfil "descobre" e a informação é propagada pela rede. Logo vira uma discussão direita x esquerda com a direita acusando a esquerda e a esquerda acusando a esquerda. 
    Sim, porque esquerdista é igual católico diante da confissão. Adora sentir culpa. Ainda não superaram a eleição do Bols conforme a vontade dos eleitores. Sempre estão procurando uma culpa para ele eleito nessa e em todas as eleições vindouras. 
    Pois então. Domingo de preparação para a segunda, perfil “inocentemente” divulga, é fake e não é, sobe hastag, desce hastag, aquelas cirandas de sempre, aqueles esquerdistas manipulados que pagam de ativistas xingando os ciranderos e a cena é tomada por Rússia e Arábia Saudita em uma treta derrubando o petróleo, as bolsas, as previsões do Mansueto e minha vontade de ler eleitor do esfaqueado. 
    Bols até tentou junto com os seus pautar o debate (ele sempre pauta o debate. Infelizmente) atacando o doutor Drauzio Varela, a Globo e a puta que pariu. Porém para o azar deles, do Brasil, meu e se for seu, eleitor do Bols tomara que você se foda, o mundo hoje viveu um dia caótico com a economia derretendo. 
    Bols precisa governar, gritam, pedem, imploram. Bols precisa tomar providência tentam alertar.
    Bols hoje à noite fala que foi eleito no primeiro turno, mas uma fraude nas eleições o levou para o segundo turno. Mais uma maluquice? Não. Bols precisa ficar falando qualquer merda para quem o aplaude (ainda) enquanto o primeiro ministro Maia tenta fazer algo de útil.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Gatilho

     Começa a ficar recorrente as pessoas chamando de "gatilho" o que é apenas "inveja".
Explico. Imagina uma situação pavorosa vivida por você. Ex: Flamenguista nos fla Flus com o Ezio no ataque. Ou o Fred. Ou o Hercules. Ok, todo fla Flu é pavoroso pra eles eu to ligado. Mas imaginem aí.
Então sempre que eu cito o Ezio isso aciona no cérebro da pessoa uma série de sentimentos ruins acarretando crise de ansiedade ou algo assim.
     Falando sério agora, Em uma pessoa depressiva ou com problemas para lidar com situações como violência doméstica, urbana, lembranças dolorosas, isso causa problemas sérios. Pessoas assim merecem um aviso a respeito do assunto. É até uma gentileza da sua parte ao postar vídeos, imagens ou contar uma história. E qual o problema até aqui, Alan? Tudo começa a complicar quando o militante padrão, uma geração mimada pelos pais, pessoas incapazes de lidar com a vida começaram a confundir com "inveja". E não me venham com inveja "branca" (o termo além de tudo é racista), "boa" e ou "má". Eu sinto inveja e pronto.
    Ano passado fiquei com inveja daquele "time" ganhando a libertadores. Necessitei silenciar vários flamenguistas para não aturar as comemorações dele. Repito: Senti inveja. Queria para mim algo igual. Sinto inveja de quem dirige, corre, come espaguete sem sujar a roupa, tem um milhão de reais.
Exatamente nesse caso (da Gávea) claro que torci contra e torcerei sempre. Porém se um amigo viaja pra Paris não fico com raiva ou algum sentimento ruim e ver as fotos dele não me deprime. Quero ir também? Sim. Mas não dá, tenho outras prioridade, não tenho grana, sei lá. A vida é assim. Não temos tudo, as vezes temos pouco, não vamos conseguir outras coisas. É para se acomodar, ser adepto do conformismo católico, não desejar mudanças sociais? Não. Eu estou falando de aceitar suas limitações.

    Esses dias criticaram a Iza por expor seu corpo bonito. Fazer isso é não respeitar as "minas" fora dos padrões disseram alguns. Hoje eu li alguém reclamando de outro por ele comentar a nota alta na redação do ENEM (isso se não foi nota errada graças a esse asno e seus ministros) e por aí vai. As pessoas estão sentindo inveja e querendo silenciar, fazer das conquistas alheias um fardo, algo a se esconder.
     Pelo amor de Deus, gente. Cresçam.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Metas 2020


Hora de publicar as metas para 2020. Que Deus me ilumine nessa jornada.


Visitar Petrópolis


Visitar Unamar


Voltar a torcer para o Fluminense indo ao Maracanã


Ignorar torcedor do Flu que tenha menos de 22 anos


Ler sete livros


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Fazer campanha contra vocês que conseguiram apoiar quem despreza o catolicismo entre outras negligências.


Assistir um show com o Chico Buarque cantando.


Ir na quadra da Portela


Xingar o Nenê e as outras contratações estúpidas do Celso e Bittencourt


Diminuir mais ainda minhas participações nas redes sociais.


Arrumar um emprego.


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Xingar todos os dias políticos fachos


Controlar o estresse para que seja menos do que 2019


Ir à missa mais vezes


Fazer exame para medir meu colesterol e essas coisas de "ídio"


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